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Fundada em 15 de Julho de 1916
Inscrita na Federação Portuguesa de Colectividades de Cultura e Recreio com o Nº 195
Rezam os seus estatutos em capítulo I - DEFINIÇÂO E OBJECTIVOS / ARTIGO
1º - Esta sociedade, fundada em 15 de Julho de 1916, denomina-se
Sociedade Filarmónica Capricho Bejense, tem por fim manter uma
Filarmónica e desenvolver acção cultural e recreativa..
Elementos recolhidos em várias fontes, entre as quais, o livro
"História da música popular em Portugal" de Pedro de Freitas, não só
confirmam o evento como o assinalam com grata exaltação. Diz o autor,
"ter sido na modesta residência de António Manuel Montes, que um grupo
de músicos se organizou em comissão para dar vida à nova Banda de
Música". Mais, refere que: "Para proceder ao laborioso trabalho da
formalização dos estatutos, passou a comissão por uma casinha (local
ignorado), ao largo de Santo Amaro". "Aprovados por unanimidade, surge
a feliz inspiração de Manuel António Pratas baptizando a colectividade
musical, pelo nome que mantém".
Nasceu ali um movimento de entusiasmo e de boas vontades que levou a
nova associação para a sua sede na Praça da República, vencendo as
dificuldades das compras de instrumentos e de fardamentos, culminando
com a realização do seu primeiro concerto em plena Praça da República,
no dia 3 de Agosto do mesmo ano.
Na realidade, poder-se-á dizer sem alcançar a justa expressão da
verdade, que, por detrás da velhinha porta de carvalho, vive em pleno
rigor e em rigoroso cumprimento da filosofia dos seus fundadores ema
respeitosa instituição cultural da região que ao longo da sua
existência tem sofrido vicissitudes de sobrevivência e pela manutenção
da sua inconfundível identidade.
Hoje, já com outros estatutos, a S.F.C.B. cumpre integralmente como em
1916, a filosofia dos seus promotores, ou seja, manter uma Banda de
Música e dilatar a sua acção cultural na perspectiva de manter os
jovens afastados do vício e da degradação. Árdua tarefa (escassos são
os meios), se trava e cresce na instituição, que de sentimento
filantropo, teima e prossegue nos caminhos da formação, da renovação e
da inovação! De tal modo a sua influência sócio-cultural se tem feito
sentir na região, que não há Bejense, que por razões diversas, não
tenha da sua juventude saudosas e ternas recordações ligadas à vetusta
colectividade.
Acentue-se, que ao longo dos 80 anos do seu historial esta sociedade
tem sido verdadeiro alfobre de músicos, muitos dos quais em exercício
da nobre arte, pelos pontos mais dispersos do país, quiçá do mundo!
Que, tenha travado em espaço seu, por múltiplos anos lectivos,
gratuitamente, persistente luta anti-analfabetista. Que os mais de
cinco mil volumes da sua biblioteca sempre tenham estado à disposição
dos ávidos e dos carentes da cultura. Que tal, transmitida e adquirida
cultura na singeleza de ambiente consciencializado tornaram esta casa
em invulnerável fulcro de resistência ao regime ditatorial.
Relembrem-se, que nos cem metros quadrados do salão de festas,
milhentas vezes, se tenham apinhado, (associados) homens e mulheres,
inebriados de felicidade, em encontros morivadores de ocasionais
junções dos corpos inspirados pelo amor e pelo desejo, conduzidos ao
som, ora frenético ora dolente da música produzida pelo conjunto
caseiro, naqueles inolvidáveis bailaricos de termo inapelável pela alta
e fugidia madrugada. E porque não, o reviver do limpar daquela
renitente lágrima, após o cair do pano, sobre o drama acabado de
exibir, que doeu no sentimento do embevecido e pacato espectador?
Também a recordação da franca e sonora gargalhada, largada espontânea e
colectivamente, motivada no gozo gerado pela maliciosa comédia,
ensaiada a "des(h)ora" pelo grupo cénico amador local, que aglutinando
vários sacrifícios, finalmente, colhia e apenas, o gostoso fruto da
recompensa no exaltante aplauso generosamente dedicado pela plateia.
Depois de passagens interinas por ocasionais moradas de recurso,
estableceu-se definitivamente, a S.F.C.B., naquela que é sua sede, por
graças da generosidade do seu ex-proprietário, Sr. José da Costa
Almodôvar, que em venda fictícia doou a casa à dilecta arrendatária.
Altruísta, foi o gesto! Só que, tão degradada estava a casa, que já era
um perigo público! Tudo dela era velho e obsoleto! Porque a instituição
sempre foi um pólo da cultura indígena; porque sempre foi a pupila dos
olhos dos Bejenses e sua lídima representante, porque a sua influência
se extravasa para além das fronteiras da sua implantação. Houve que
tomar a iniciativa da sua reconstrução! E isso, com recurso a verbas do
"PIDDAC" e prestação idêntica da C.M.B:, se eliminou o perigo da
corroída e frágil estrutura em benefício de roubusta e sólida
construção. A obra fez-se; tudo ganhou!
Por imperativos do seu próprio contexto, a constantemente renovada
"Banda" conta actualmente com quarenta músicos de idades compreendidas
entre os dez e os setentas e picos, com destaque dos oriundos da activa
escola de música, entre os quais se conta o próprio Maestro, como
produto nato e criado no seio da casa.
Mal grado as carências instrumentais, e a constante renovação de
fardamentos que a evolução física dos músicos obriga, tem a nossa
associação podido corresponder às inúmeras solicitações que lhes tem
sido dirigidas, tendo sabido manter como norma, adequados reportórios
para os diversificados tipos de actuação, nas quais tem alcançado bons
níveis de agradabilidade, perante os variados auditórios. Ainda e
apesar dos condicionalismos citados e para além das actividades que são
tradição, outros alentos têm nascido na vontade dos seus dirigentes
tais como: a criação da Orquestra Ligeira composta pelos músicos da
"Banda"; a organização anual dos Jogos Florais da S.F.C.B.; o
incremento do cinema em Beja, para suprir sua intolerável lacuna
cultural. Também os conjuntos musicais de animação, têm sido uma
constante na Capricho que, razões dos destinos profissionais dos seus
componentes lhes talham curta duração. Outro desses grupos, se forja
nesta altura, até...?
Como actividades regulares ao longo dos anos, a Capricho, irá assinalar
com músicas adequadas as efemérides, dos dias: 25 de Abril; 1º de Maio;
5 de Outubro e 1º de Dezembro. Realiza concertos no dia internacional
da Música, no aniversário da Capricho e dia da cidade, presta serviços
religiosos, acompanha os desfiles de estudantes, de crianças dos
infantários, de primárias, etc...
Por ser inédito, se menciona a deslocação a Geluwe - Bélgica da Banda
Filarmónica satisfazendo o honroso convite oficialmente formulado pela
filarmónica local.
Remetendo, para a experiência ganha no ano lectivo de 94/95, se anotam
e aplaudem acções, no âmbito sócio-cultural, desenvolvidas nas
instalações da Capricho pelas alunas dos 3º e 4º ano do instituto
Superior de Serviço Social de Beja, tais como: palestras; sessões de
poesia; Esposições; feira do livro; jogos florais e colóquios sobre a
defesa da natureza e combate à droga etc... Podendo-se retirar deste
interesse dos cursos superiores, a importância que a S.F.C.B. tem na
vida social e associativa do nosso meio.
Também neste ano, 95/96, foi establecido novo protocolo entre e
Instituto de Serviço Social e a Capricho Bejense, com fins pedagógicos,
visando o enquadramento técnico de estudantes do 4º ano na vida da
colectividade com avaliação final.
Em 1997 destacou-se das actividades habituais, a realização dos XI
Jogos Florais e um encontro de poetas populares, além dos cursos de
formação musical e dinamização da biblioteca.
Em 1998 realizaram-se aulas de aeróbica com a presença de cerca de 50 alunos.
A Banda realizou várias actuações, e animou variadas touradas.
Organizaram-se exposições de pintura, escultura, fotografía e cerâmica,
com cerca de 20 artistas, sendo a maioria do distrito de Beja.
Três concertos musicais animaram a colectividade, com a presença dos
grupos "Pecado Original", "Grasshopers" e "Caravasar". Aconteceu ainda
noite de Jazz em fusão com a pintura de Jorge Vilaça.
Animaram ainda a colectividade noites de poesia, um encontro com
contadores de histórias, diversos espectáculos de teatro e a projecção
de filmes 2 vezes por semana.
No ano de 1999 continuou a colectividade a sua acção cultural desde a
aeróbica, música, cinema, teatro, e música cumprindo a sua vocação de
formação de jovens músicos e diversas actuações da banda que onde quer
que se apresente recolhe sempre fortes aplausos.
No ano de 2000, destaque para o espectáculo "Boa Noite Beja", e realce
para a iniciativa inédita levada a cabo pela delegação de Beja do
INATEL em parceria com a S.F.C.B. de um curso de formação de regentes,
funcionando durante duas semanas e alcançando assinalável êxito.
Mantiveram-se todas as outras actividades culturais habituais.
No ano de 2001 além da actividade cultural habitual realce para a
participação da Banda de Música no Mega Encontro de Bandas no Estádio
1º de Maio em Lisboa. 104 sessões de cinema animaram o salão nobre da
colectividade, onde foi ainda exibida uma peça de teatro.
Realça-se em 2002 o mês de Outubro, onde se realizaram actividades em
coorganização da Capricho e Lêndias D´encantar, tendo-se registado a
presença de mais de 500 espectadores.
A Banda Filarmónica realizou 11 serviços religiosos, 3 concertos, 3
animações tauromáquicas e participou em 3 encontros de bandas, 4
inaugurações ou comemorações históricas e um acompanhamento a figuras
nacionais. Realizaram ainda 16 sessões de teatro e 16 sessões de
cinema, assinalando o regresso das exibições cinematográficas.
No ano de 2003 mantiveram-se as habituais actividades da colectividade,
com realce para o cinema, com 37 sessões apresentadas, fruto de uma
insistência em não querer deixar morrer ou cair essa actividade
Em 2004 a sessões de cinema alcançaram a média de 28 espectadores por
sessão, e realizaram-se os habituais concertos e exibições da banda.
Realizou-se ainda o espectáculo de comemoração do aniversário e o
espectáculo de natal.
2004 fica contudo marcado por uma nova aposta numa equipa que se
pretende procure dinamizar as capacidades estruturais da colectividade,
incentivando a criação de novas modalidades e actividades num projecto
denominado "A tradição... Rumo ao futuro!".
Este projecto visa revitalizar a colevtividade, e, como o nome o
indica, defender e proteger a tradição, a história, os pergaminhos da
casa, mas procurar em simultâneo encontrar novas soluções que aproximem
a população da colectividade.
O património cultural da colectividade, quer seja documentação
histórica, biblioteca, arquivo fotográfico e arquivo musical, encontram
em mau estado de conservação, sendo assim uma prioridade toda a
recuperação e tratamento desse património para a defesa da "Tradição".
A recuperação da tradição passa também por reactivar e reorganizar
eventos como o "Baile da Pinha" que durante muitos anos se realizaram e
fizeram de alguma forma história nesta associação.
Contudo, não podendo negar a evolução das sociedades, dos gostos e
apetências da juventude actual ou até mesmo da população há que
procurar novos caminhos, novos projectos, novas ideias, que tragam
pessoas até nós. A criação da Escola de Danças de Salão é já uma aposta
ganha e conta hoje com 214 alunos inscritos, e o ambiente que a mesma
tem proporcionado tem ajudado a refazer a própria alma da
colectividade. A festa de Natal, a realização de torneios de snooker,
do jogo do 31, de damas, de xadres, e outros espectáculos que se têm
realizado têm contribuído para o rejuvenescimento da assosiação.
Este projecto, com uma implementação prevista no espaço de três anos,
prevê ainda toda a informatização da quotização, do controle de
associados e de gerência de contabilidade, para qual já foi adquirido
um computador e software adequado.
A reactivação do grupo de teatro é já uma realidade, bem como uma
escola de desenho e de pintura, e em breve começarão workshops de
danças orientais, de sevilhanas, de sapateado, de hip hop, para os
quais já temos muitos alunos inscritos. Procuramos ainda o sonho de
reactivar também a Orquestra Ligeira, de colocar dois computadores com
Internet na biblioteca, de adquirir um ecran e um video projector, de
fazer as tãos desejadas e necessárias obras no bar, e, porque queremos
ser uma colectividade para p século XXI não podemos deixar de desejar
aquilo que inclusive é obrigatório por lei, o acesso a deficientes.
Para tudo isto necessitamos da preciosa ajuda e apoios das entidades
quer estatais quer empresariais, para que não deixemos morrer 89 anos
de tradição e possamos estar preparados para enfrentar o futuro.
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